20/04/2011

Da Páscoa e da falta de fé

Tenho que admitir que até eu tinha pouca esperança numa reviravolta. Julgava que para acreditar nisso tinha que ser mesmo ferrenho, meio tolo. Pensava nisso como um sonho, "o que era mesmo lindo era virarmos a eliminatória no estádio ao lado do Media Markt!"
E não é que virámos a eliminatória? Afinal demos 2 de avanço, para ser mais interessante...
E não é que limpámos os luzinhas outra vez em pleno ninho!?
Muito bom!


Posto isto apenas me resta chicotear pela falta de fé e acreditar sempre, sempre. Nem a propósito, estamos na Páscoa, que significa a redenção e "passagem" para um outro estado, de liberdade e vida. Calma, é só bola, neste caso significa apenas a passagem à Final do Jamor. 

DEVOLVAM OS BILHETES

13/04/2011

Nobre

Declaração de interesse: Fernando Nobre é-me politicamente falando indiferente, não votei nele, mas aprecio a sua carreira e opinião acerca de questões humanitárias. E só.

Fernando Nobre a esta hora já se arrependeu de ter aceite o convite do PSD para concorrer à Assembleia da República. Boa parte do capital que recolheu nas presidenciais com a insatisfação no sistema foi oferecido pelos descontentes que habitam na esquerda - como os fracos desempenhos de Alegre e da irrelevância comunista comprovam.
Ora, aliando-se ao PSD para chegar à AR (a única forma de o fazer é estar inserido numa lista partidária, pois a AR ainda não foi aberta à sociedade civil - culpa de quem?) Nobre acabou por desiludir o grosso dos seus apoiantes ou crentes. E fê-lo porque se meteu no sistema partidário não com o seu próprio partido (como alguns esperavam), mas aproveitando a boleia de um dos partidos responsável por hoje sermos o laughing stock da Europa.

Pessoalmente não me parece que Nobre ande atrás de qualquer bife do lombo do Estado. Aliás, gostaria de ver mais pessoas como Nobre metidos na AR. "Porquê, gaita?" Por duas ordens de razões:
  1. a positiva - Nobre não precisa do Estado para viver, tem poder na sociedade civil, construiu uma carreira e uma instituição palpável e útil, logo concluo que gostaria de trabalhar na AR visando criar algo, contribuir positivamente para a nossa democracia, seja lá isso o que for.
  2. a negativa - mesmo que Nobre ande atrás de protagonismo, atrás de poder, ande a soldo de algum interesse obscuro, preferiria oferecer-lhe a ele um lugar, em vez de meter na AR pessoas como os Lellos, os Vitalinos, os Ricardos Gonçalves, os Branquinhos, etc, etc, que mais não fazem que envergonhar-nos. Miséria por miséria, dava a oportunidade a outros de nos poderem enganar ou surpreender pela positiva.

Por fim, mandar um abraço aos que alertam para a falta de experiência de Nobre para poder ocupar o lugar de Presidente da AR, o 2º cargo da Nação. Igualmente duas notas sobre isto:
  1. a negativa - o 1º cargo da Nação é ocupado pela Maria Cavaco Silva, que tanto quanto sei, foi apenas professora e mulher de um ex-primeiro-ministro!
  2. a positiva - tomara que houvesse mais pessoas fora do sistema partidário, aparentemente livres de conflitos de interesses, a desejar dar o seu contributo

06/04/2011

Ajuda externa

É do que precisamos, afinal.
Mas como já não aguento ler e ver tanto sobre este assunto deixo os meus três, vá, 4 golos favoritos de sempre. Poderão existir outros tão bons, mas estes são os meus.
  1. Vieri, no Atlético de Madrid
  2. Cláudio Lopez, Valência
  3. Hugo Almeida, FC Porto (a única coisa que fez de jeito em toda a carreira)
  4. Van Basten, Holanda
This is my rifle. There are many like it, but this one is mine.

01/04/2011

Batman versão next door.

31/03/2011

Batgym

Pergunto-me a que ginásio o Batman vai.

30/03/2011

Se me souberem explicar doutra forma...

"O caso BPN configura o processo de desagregação do Estado democrático, onde se salvam os accionistas e as entidades reguladoras, onde se escolhe salvar os activos nacionalizando os prejuízos à conta dos impostos que pagamos. O caso BPN diz-nos que em Portugal a fraude compensa e, quando esta vence, a democracia perde. Portugal está transformado num país onde há Estado máximo para alguns e Estado mínimo para quase todas as outras pessoas."

"A Caixa Geral de Depósitos enterrou directamente no BPN cerca de 4600 milhões de euros, a somar aos 2000 milhões de euros em imparidades (activos tóxicos), o que perfaz cerca de 4% do PIB. Explicitando: este valor assemelha-se ao encaixe total que o Estado português prevê fazer com o plano de privatizações. Dito de outra forma, assemelha-se ao valor previsto pelo plano de austeridade de 2010, em que para o cumprir foram necessários os PEC, mas também o fundo de pensões da PT, no valor de 1600 milhões de euros. Este é o valor da factura que todo nós estamos a pagar."


Manifesto E o povo, pá?

23/03/2011

O meu Tsunami

Quando olhamos para trás vemos momentos marcantes na nossa vida, pequenos bocados de tempo, não mais que cliques que definem os tempos seguintes, tempos que nos trazem memórias, memórias que marcam períodos, eras. Normalmente nem vivemos esses cliques, tão rápido passam por nós.
Hoje, 23 de Março, vamos assistir a mais um desses cliques. Mais logo a Assembleia da República vai votar contra o PEC IV e o Governo cai. E seguem-se novos capítulos numa crise adiada e anunciada, agora mesmo a sério. Vai ser um minuto quando o Primeiro-ministro anunciar a falta de condições, vão ser 2 meses até eleições, diversos anos a levar a Economia para níveis de poupança inéditos.


Mas isso são os outros, a Primavera está aí e não tarda temos a praia no seu esplendor. Quando acordarmos estaremos noutro paradigma, condenados a reinventarmo-nos (oxalá, entretanto, não entremos em bancarrota, porque, entre outras coisas, preciso de receber).

18/03/2011

Da iliteracia superior

"Os mestrados leccionados em inglês, não são leccionados em 
português, pois não?"

13/03/2011

Nuclear, provavelmente, não

A catástrofe na central nuclear japonesa de Fukushima, cujas consequências não são ainda conhecidas, servirá, no mínimo, para que o (pequeno) debate do nuclear seja de vez encerrado. O lobby do nuclear, que ganhava força com o preço do petróleo em alta, abandonará as pretensões de construir uma central em Portugal nos próximos anos.

04/03/2011

Entrudo

Carnaval em Portugal é triste.

01/03/2011

Vitória do Povo

Não há limites para a barbárie jornalística.
Sei que muitos consideram o jornalismo desportivo uma classe inferior no seio dos encarteirados, mas, pessoalmente, considero-os obrigados ao rigor e isenção.
Mas é assim que funciona, assumamos.

06/02/2011

O melhor do Inverno...

...é o seu fim anunciado. Vou apanhar sol e sintetizar vitamina D.
Até mais logo.

26/01/2011

Barreira do tempo

Interpelei hoje um tipo com um metro e oitenta e cinco (portanto quase mais 10 cm que eu):
- Jovem! A torneira... (tinha deixado a torneira aberta a jorrar água e preparava-se para ir embora)
- Ahh (claramente borrado de medo e cheio de respeitinho), esqueci-me! Desculpe.
Fechou a torneira e foi embora rôxo de vergonha...e medo.

Na realidade, era exactamente a mesma reacção que aos 18 anos eu tinha quando era interpelado por um respeitado adulto.
Respeitado adulto!? Conclusão: sou um cota. Atravessei hoje uma linha sem retorno, de ora em diante só me resta trabalhar, pagar os crescentes impostos, taxas e emolumentos, as propinas dos filhos e calçar pantufas de veludo até à minha reforma.

24/01/2011

Lamento

...mas toma lá mais 5 anos de bolo-rei do mais "impoluto" político de sempre, o gajo que previu tudo, o homem que não tem dúvidas, não erra e está acima de qualquer suspeita. Espero, francamente, que não me suba para o tejadilho do carro. Odeio essas confianças.


Voltamos a falar sobre isto em 2016.
Um abraço

21/01/2011

Pela primeira vez...

...não tenho em quem votar.

10/01/2011

Ursos como nós

Leia-se esta notícia.
Cresci a ouvir que a CEE pagava para desinvestirmos na agricultura, pagava para abatermos barcos no sector das pescas, que nos obrigava a quotas nas produções diversas, entre outras riquezas. Sempre presumi que isto fosse para garantir a subsistência do sector nos países ricos e com produção mais avançada, como a Alemanha e França, evitando excedentes. Candidamente, presumi que nunca iríamos passar por escassez, já que garantíramos a subsistência dos produtores europeus, transformando-nos, a nós mesmos, compradores crónicos.

Agora acordámos com o crescimento dos países emergentes, cuja procura crescente faz disparar os preços de matérias-primas alimentares. Resposta: não temos produção própria, logo temos que pagar o aumento.
Pergunta minha: quem vamos culpar por termos desinvestido na agricultura? Ninguém, não é?
Tenho uma proposta para começarmos: 2 deles são candidatos à Presidência da República - um foi Primeiro-ministro 2 mandatos; o outro foi deputado mais de 30 anos.

09/01/2011

Ás de Espadas


Quando era miúdo observava a minha vida adulta cheia de certezas quase absolutas. Aos 18 anos iria ter a carta de condução e maturidade suficiente para poder dominar o mundo e ter namoradas boas e desinteressantes como as que via nos filmes. Na pior das hipóteses ia ter sorte diariamente no dormitório da faculdade, onde as raparigas andariam em trajes menores a servir cerveja aos colegas de curso. Aos 30 teria obviamente entre 2 e 7 filhos, um emprego de gravata, com milhares de dossiers de arquivo cinzentos na parede e seria um proprietário feliz de um carro sedan de cor neutra. Tiraria férias no Algarve em Agosto, bem no centro de Albufeira, e jamais usaria bigode. Tudo felicidade, porque os problemas que passara em criança nunca existiriam na idade adulta, estes advinham sempre da falta de bom senso dos miúdos - na 2ª feira podíamos jogar futebol com a bola do Necas, na 3ª feira já não lhe apetecia... de manhã o meu carrinho da matchbox era o mais fixe da turma, mas à tarde afinal já não... antes da aula podia levantar as saias às raparigas, mas depois da aula o pessoal já não alinhava...
A grande desilusão da vida começa quando percebi que os adultos tinham muito menos bom senso que algumas crianças. E aí percebi que um dia poderia mesmo usar bigode - já aconteceu - e que se calhar não ia tirar férias nunca a leste de Lagos.
Os objectivos foram todos reformulados e, passados muitos anos, tudo é diferente do que imaginei.
Termino esta minha crónica (a qual dei agora conta que parece uma imitação barata do Nuno Markl na Rádio Comercial) concluindo que, para já, nada cumpri ao qual me propus. Mas, pelo que vejo, ainda bem.

11/12/2010

E estamos de volta

Sou uma pessoa simples, gosto de jantares de amigos, futebol, e que me falem de Habermas, para me rir.
E hoje salvei a minha bicicleta do cárcere de 5 meses na cave. Pobrezinha, até já lhe chovia em cima. O regresso ao mundo encantado da bicicleta é sempre sucedido de arrependimento: os pulmões esqueceram-se como se respira, tenho comichões em sítios esquisitos, a bicicleta pesa 75 kg, as pernas tremem e faz-se 10 km em agonia antes de voltar a casa. E claro, dores, muitas dores depois.
Desta vez não foi diferente, excepto que vim cheio de lama e fui expulso de casa. Só porque pisei o tapete com o sapato enlameado. Bahh


27/10/2010

Orçamentos

E é isto, o governo e o maior partido da oposição não se entenderam para negociarem um Orçamento de Estado para 2011.
É estúpido o suficiente um partido com minoria relativa no nosso sistema não ter conseguido fazer uma coligação com nenhum outro - seja por culpa própria ou dos outros - mas mais estúpido é, depois de tudo fazermos para satisfazer os «mercados» (amo esta palavra que apresenta, grosso modo, os responsáveis da crise, que os governos tiveram que salvar com os nossos impostos, mas de quem dependemos para conseguir construir qualquer obra pública), estes gajos não conseguirem entender-se para viabilizar um orçamento.
Como nos últimos anos me habituei a que o que hoje é verdade amanhã é mentira e vice-versa, amigos «mercados» não vos  preocupais porque ainda vamos conseguir aprovar um orçamento que a todos deixará felizes e que levará os nossos juros da dívida soberana a descer para os 4 % durante 3 meses, até que um dia  um camião desgovernado carregado de brinquedos  se despenhe nos arredores de Kuala Lumpur e despolete uma grave crise no mercado dos plásticos, levando a um agravamento no preço do petróleo, causando inquietação nos mercados e levando os nosso juros a subirem para valores outra vez para os 6 e muitos %, decretando de vez o fim dou Estado Social em Portugal e se implemente um sistema ultra-liberal dog eat dog, bem mais fácil de sustentar pelo Estado.


Por falar em tesura, vou de férias 15 dias. Fodei-vos a levar com estes gajos todos.