16/04/2006

Quem mente?

Uma coisa que nunca consegui entender é a discrepância dos números das greves. Quando se verificam estas tomadas de posição os sindicatos apontam frequentemente para números alarves, enquanto o patronato apresenta valores afectos à greve na ordem dos resíduos.
Um exemplo, vinha esta noite no meu carro a morrer de sono e oiço o sinal sonoro das 2 da manhã. Aproveito para adiar o sono sintonizando a TSF para ouvir as notícias. Oiço falar da greve do pessoal da cadeia do Tivoli e dos respectivos números de adesão da greve: sindicato-90%; administração-11%. Ou seja, por estes senhores existem 79% de trabalhadores que desapareceram neste dia...
Já estava na hora de aparecer uma qualquer empresa cujo papel fosse ser imparcial na avaliação destes números. Enquanto cidadão que paga os seus impostos quero ter direito a informação menos manipulada. Sim, porque se fossem valores 60/40 ou 55/45 ainda papava, mas assim tanta diferença implica alguém estar a mentir despudoradamente... provavelmente as duas partes!

15/04/2006

Irão...onde?


De vez em quando debruço-me sobre uns temas internacionais e, apesar de nada perceber de política e muito menos de política internacional, apetece-me dizer umas certas coisas.
Tenho estado atento à política internacional e às movimentações diplomáticas que normalmente antecedem as movimentações militares.
A questão do petróleo, que obviamente ultrapassa a nossa compreensão, está a arrastar o mundo para uma nova guerra, muito embora de contornos diferentes da do Iraque. Agora o Irão parece ser o centro do mundo e de lá serão emanadas as nossas perspectivas de felicidade, apetece dizer. Se teimar em produzir energia nuclear civil (disfarçando a produção militar nuclear?) forçará a movimentaações e pressões internacionais, e aí poderemos dizer adeus a uma baixa do preço do petróleo e consequentemente do preço do nosso nível de vida. Mas se pararem essa produção a felicidade ocidental poderá voltar a existir. Voltaremos ao nosso mundo como se de um pesadelo se tivesse tratado e agora que acordámos tudo corre bem. Mas para o conturbado mundo árabe, ao qual o Irão só tem em comum o islamismo, tudo será diferente, vergados mais uma vez pela força do satan, humilhados pelos infiéis.
Mas, pergunto-me, e assim não veremos tipos a espumar de raiva a rebentarem com tudo o que podem, inclusivé com eles próprios, na baixa de Tel-Aviv, em Bagdad ou até na Europa?
Na realidade, e como nada percebo, pergunto apenas: para quando a ofensiva militar?

14/04/2006

Quero uma ponte


Fins de semana compridos são um paraíso para todos os que conheço: eles são sair mais cedo, eles são tolerâncias de ponto oferecidas pelo Estado ou pelo patrão, eles são falta de trabalho e relaxe por completo.
Todos menos eu, que insisto trabalhar em sítios em que véspera de feriado significa o triplo do serviço e os fins de semana o corropio que não me deixa sequer olhar o horizonte.
Será que verei alguma vez a minha vida tornar-se menos anómala do que é actualmente?

A bota

Quem calçou a bota foi, desta vez, o pessoal da liberdade de imprensa, o pessoal que acredita numa lliberdade para todos e de forma igaualitária.
Berlusconi sai, ainda assim, com a derrota paga de forma cara. E eu agora com curiosidade em saber se as leis por ele e a sua maioria aprovadas e que lhe garantiram a protelação das acusações que é alvo, lhe vão deixar de dar cobro, uma vez que já não é primeiro ministro, ou se, por outro lado, enquanto senhor mais rico de Itália, lhe vai ser dado um tratamento acima da lei.
É que em Itália os milagres acontecem de verdade também.

Está quase...



Já não falta muito para celebrar a conquista. Sim, a conquista faz-se de muito trabalho e também de genialidade, numa receita de 95%-5% respectivamente.

08/04/2006

Heterodoxia

Este Sábado casa mais um amigo meu. Não me convidou ao seu casamento, mas não tem mal. Bem, na realidade trata-se mais de um velho conhecido. Perdemos a intimidade há muito.
Este patamar é observável quando as vidas de ambos os amigos se separam e seguem trilhos diversos, tendo contactos meramente fortuitos. E nesta dualidade de vias continua apenas uma união de memórias, de partilha. Não me esquecerei de coisas boas, outras que nem tanto e daquelas que realmente importam. Ele também não se esquecerá concerteza de coisas entre nós.
Desejo-lhe a maior das felicidades, mesmo que nem imagine que lhe quero bem.

Por falar em casamento, acho que já decidi que este só faz sentido se celebrado numa qualquer Love Chapel de Las Vegas com um senhor trajado à Elvis acompanhando todos os movimentos da cerimónia. Qualquer coisa como o Barbas faz com o Benfica.
É isso mesmo, eu quero o Elvis Presley no meu casamento! Love me tender honey!

05/04/2006

Falar torto quando as linhas são direitas


Em quem preferíamos votar, no Alberto João ou no Berlusconi?
O Jardim é arruaceiro, mafioso, domina o emprego local, a iniciativa privada e insulta os compatriotas e desrespeita os órgãos de soberania nacional. Mas não é meu primeiro-ministro...
O Berlusconi também não é meu primeiro, mas é-o de milhões de italianos.
Ambos são conhecidos pelas suas tiradas maravilhosas. A última do Jardim não me interessa, mas o capo de Roma é responsável por boa parte da política económica do nosso mundo. Então estava o senhor a discursar numa iniciativa de campanha, pois vai haver eleições legislativas em Itália dentro de semanas, e dizia ele que aprecia muito "a inteligência dos italianos para pensar que não tenham coglioni para votar contra os seus próprios interesses".
Sim, a palavra em itálico tem o significado que parece ter.

04/04/2006

Trabalhar é uma chatice pegada



Haverá workshops sobre trabalho de equipa?
Poderá uma equipa trabalhar sem alguém que a determinado momento assuma as despesas do funcionamento do grupo?
Existe a ditadura do chefe, coordenador ou líder?
Hei, a senhora percebe-me? E o senhor aí, sabe que quero dizer?


03/04/2006

Domingo

Ahh esta ressaca...
Pois bem, os domingos continuam a ter um significado especial. É o dia da família, de Deus para quem Nele crê, para passear, para visitar a tia-avó e a madrinha...a não ser que estejas de ressaca!
Ai estiveste a beber, a dançar e a dizer anormalidades até às 6 da manhã! Está bem, então acabou-se o Domingo para ti: vais dormir mal, e sem capacidade para te levantares antes das 3 da tarde; não vais ter estômago para comer nada até às 8 da noite e nada de ver TV porque 'tás todo azamboado! Se esteve sol saberás pelos teus pais quando forem gritar contigo:
-"ainda na cama, com um sol destes lá fora!?"
- "não acendas a luz por favor!! não grites por favor. Ai porque bebi eu!?"
Pois é, e o melhor é que amanhã é dia de TRABALHO!

02/04/2006

29/03/2006

Abriu época de caça à foca no Canadá


Realidade:
  1. portugueses emigram para o Canadá porque procuram uma vida melhor
  2. portugueses vivem 10 anos ilegais e não são expulsos
  3. portugueses ouvem dizer que pedir asilo como refugiado lhes pode abrir a porta para a cidadania canadiana e escapar da ilegalidade
  4. Estado canadiano considera refugiado quem é alvo de perseguição política, religiosa ou militar, e que quem não está nestas condições é repatriado
  5. Portugal é, contudo, e apesar de tudo, uma democracia, está em paz e é laico
  6. portugueses ilegais no Canadá são os mais recentes habitantes de Portugal, apesar de alguns nunca terem visto ou pisado o país e apesar de não quererem voltar

Caír em esquecimento


Só quero deixar aqui uma nota:
A esquerda francesa, unida aos sindicatos tiveram a mais gloriosa oportunidade de beliscar, ameaçar e até derrubar o poder de direita em Paris. A lei que permite ao patronato despedir sem justa causa qualquer jovem no seu primeiro contrato de trabalho mais parece uma vaga oceânica de neo-liberalismo vinda de um qualquer tsunami dos EUA.
Há perdas de direitos e perdas de direitos... Os jovens à procura de 1º emprego não são propriamente uma estrutura organizada e privilegiada na sociedade francesa (e portuguesa).
Mas, como dizia, a esquerda deixou fugir a sua montada para o poder, permitindo que os sindicatos e a extrema-esquerda (com os seus fanáticos), juntamente com os vândalos anónimos, apolíticos, acríticos e acéfalos mergulhassem esta impopularidade de Chirac e do Governo em banho-maria, com os desacatos e caos civilizacional a tomarem conta do quotidiano parisiense.
Que quer isto dizer? Que a França média vai acabar por se fartar dos loucos a partir montras e dará cobertura ao sr. Sarkozy para enviar a tropa de choque para a rua, caíndo esta medida discriminatória (pela negativa, porque também há discriminação positiva) em esquecimento, hearts and thoughts they fade...fade away.

Hmmmm



Acredite-se ou não, comprei um balde de 2,5 litros de gelado Haagen-Dazs.
Acredite-se ou não , aquilo é brutal, sabor intenso, sexualidade paralela.
Substituí a fruta e a sopa pelo Cookies and Cream!

24/03/2006

Placebo


"A PSP deteve esta quinta-feira mais de uma dezena de pessoas, entre as quais quatro polícias e um funcionário com funções não policiais, numa operação contra o tráfico de armas e munições, anunciou a direcção nacional da PSP. "
Isto quer dizer que os gajos que nos deviam estar a proteger estariam a alimentar uma série de gangs e bandos mais ou menos organizados, vendendo-lhes armamento para me assaltarem, que depois incumbiria a eles prender!
Tudo bem, funciona como o laboratório farmaceutico que não cria novo produto enquanto tiver um qualquer a liderar o mercado; como as empresas dominantes de software que criam virus para comprarmos os seus anti-virus, como as petrolíferas que não divulgam a criação do motor a água ou a hidrogéneo para lhes comprarmos petróleo ou como os dentistas não acham boa ideia haver serviço deles no Estado para irmos pagar 20 contos por uma cárie nos seus consultórios privados apesar de descontarmos na fonte. Ou não, é que já tarde!

23/03/2006

Banana Split

Hoje deambulava pelos noticiosos do mercado quando dou de caras com uma notícia que havia ouvido pela manhã, mas que não passei grande cartucho: a Assembleia Legislativa da Madeira, pela mão da maioria absoluta do PSD/M quer acabar com as comemorações do 25 de Abril na Assembleia. Acordei finalmente.
Pelos vistos incomoda ainda muita gente a possibilidade de existência de democracia na ilha da Madeira, mas daí a dizerem que se borrifam para a revolução democrática de Portugal... o mais brilhante são ainda os argumentos postulares do PSD/M: querem terminar com as celebrações por "não ser oportuno"...
Na realidade mais vale não ver aquelas sessões, são uma desgraça a la Taiwan com ameaças físicas, verborreia esacatalógica e falta de inteligência em todos os deputados de todas as bancadas.
Foi você que pediu uma república das bananas?

21/03/2006

Parabéns a todos nós




Aproveito este espaço para celebrar o 3º aniversário da invasão do Iraque.
Enquanto como uma pita de frango na maior das calmas ali para os lados de Belém (não tem qualquer conotação humorística com a Casa Pia), ouço pela TV ali instalada no topo da sala que houve mais um suícida bombista xiita iraquiano que se emancipou das dores terrenas e partiu para junto do profeta dando boleia a mais umas tantas vítimas. Na realidade, se em vez desta notícia tivesse ouvido o pivot dissertar sobre os medecinais efeitos de tomar banho nas termas de Monfortinho não deixaria de bocejar mentalmente como o fiz. E isto é que me deixa triste com o rumo do meu mundo: a banalização da dor e do sofrimento alheio. Já não me impressiono com sangue, com choro, com pobreza extrema.
Será este o mundo que eu quero?

Estou vivo e ferve-me o sangue

Não caibo em mim ainda! Tenho finalmente internet de banda larga...
Agora deixarei de receber constantes telefonemas da PT Comunicações solicitando uma pequena conversa para me obrigarem a papar os argumentos batidos de promoções fantásticas como ter Banda Larga 10 horas por mês a €22.5.
Agora poderei fazer o meu IRS pela net; poderei escrever no meu blog até gastar as pontas dos meus dedos; poderei ver o site de todas as marcas de automóveis; poderei ver pornografia e quiçá, em última análise tornar-me num campónio tunning!

05/02/2006

Amores de Domingo

Esta pessoa sou eu, mas numa versão de género feminino

Este dia da semana, que nem sabemos se é o primeiro ou o último, mais parece um dia de parvos na estrada. Todos dormem até tarde, menosprezando as qualidade de um rico pequeno almoço. Quem não dorme até tarde passa o dia a enervar os condutores, como eu, que trabalham e precisam ir para o posto de serviço. Destes destaco os seguintes grupos de pessoas:
os que vão correr em calções ridiculamente pequenos ou calças claustrofobicamente justas
os que andam de bicicleta
os condutres de fim-de-semana que passeiam ou vão visitar a família
Do 1º grupo não tenho nada a apontar, excepto que me distraem enquanto conduzo. Sim, aquela indumentária desportiva faz-me rir e quase despistar com o meu carro. Dou por mim a olhá-los pelo retrovisor, apreciando as tísicas coxas do português.
Dos outros tenho verborreia a vomitar. Os ciclistas de Domingo têm o hábito de pedalar em conjunto, qual grupo de miúdas com vontade de mijar. O problema é que o fazem ao molho, e não em fila, bem encostadinhos à direita para perturbar o trânsito o menos possível. Nervos! Nervos! Apetece encostar o capot do meu 111 ao rabo dos 27 cinquentões ciclistas de faces congestionadas e a suar bátegas, abalroando-os em direcção à berma, mandá-los para a vala ou contra o rail de protecção, para testarem os seus reluzentes capacetes.
Dos últimos então tenho que me controlar a valer. Com os seus carritos limpinhos, a brilhar, incluindo jantes e pneus, não passam dos 42 km/h, na faixa do meio, enquanto conversam animadamente com os seus 4, 6 ou 8 convivas de automóvel, todos gesticulando e rindo fartamente. Ora bem, neura já eu tenho por me levantar cedo, antes das 10h. Neura já eu tenho por ter que ir trabalhar. Mas tudo bem, é sempre assim. Mas não me obriguem a contemplar a vossa bonomia de fim-de-semana. Acelerem firmemente ou encostem-se bem à direita e porque eu estou em brasa e tenho uma buzina up to date, que solta altos decibéis à mínima irritação. Ahhh e sei fazer o dedo!

03/02/2006

Quero um WC só para mim

Se há coisa que me incomoda é o mundo da casa de banho partilhada.
Os lavabos público encerram em si uma imensidade de pessoas com comportamentos estranhos: desde o velho que faz o típico olhão para a nossa "longaniza", passando pelo senhor que mostra calmamente o seu mundo gasoso aos demais cidadãos enquanto urina, não esquecendo os engatas gay com perguntas curiosas, gajos que mijam e salpicam o chão todo, até às bainhas das calças, sapatos e tudo, os que passam horas em frente ao espelho a espremer coisas ou os que passam dias completos a tentar enxugar as mãos no fio de ar que corre do secador de mãos semi-avariado (odiosa invenção), ou até o senhor que está a evacuar no seu compartimento privado mas que todos irremediavelmente ouvem o estertor da sua anal parideira.
E então que dizer das bestas que, em três urinois bem juntinhos, decidem fazê-lo no do meio, levando-me a tomar uma decisão que não comprometa a minha necessidade de mijar, não esquecendo que o adoro fazer afastado de pessoas pelo menos à distância de 48 cm?

31/01/2006

Quero uma estação de rádio só para mim

Quero saber porque é que eu, que entro ao trabalho às 11h, não tenho direito a um programa de rádio, um só, que seja apresentado ou conduzido, ou que tenha uma rúbrica com gente engraçada? Quem entra às 8h ou às 9h pode ouvir no carro o especial da Antena 3, com Nuno Markl, o doente do Bubu e tudo, ou a gente alternativa da Radar, tem até aqueles gajos do Rádio Clube Português, tem os bacanos da Best Rock e da MegaFM. Mas os miseráveis, como eu, que dormem mais uma hora ou duas já não podem ter este serviço: "Nán, nán, nada disso, quer dormir ouve o tecno, ouve o empresário, pode até ouvir o padre, mas nada de pessoal com alguma graça. Lamento imenso, mas não está incluído nesse plano. Em alternativa temos este aqui, muito bom também, para quem entra à meia-noite, com a Hora do Lobo e com o Oceano Pacífico e com cerca de 30 estações que põem a cassete e não têm converseta".
A cereja no topo do bolinho vem com a hora de saída, pois a essa hora só tenho gente da gravata e do bocejo a falar na rádio outra vez.
Resta-me o consolo de não apanhar a hora do trânsito das massas aburguesadas...